O secular prédio está sob a responsabilidade do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia da secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), que o utiliza para funcionamento da subgerência de Restauração de Bens Móveis (Surbm). O casarão abriga esse setor do IPAC responsável pela restauração de imagens como as de Nossa Senhora do Pilar do Oratório da Cruz do Pascoal, de São Benedito da igreja de Santana, os altares da igreja de Piatã, entre dezenas de outras peças artísticas.
O solar tem três pavimentos, pilastras dóricas, belos tetos de madeira de lei em forma de gamela e azulejos do século 17 do mesmo tipo encontrados na Catedral de Salvador, igreja de Monte Serrat, conventos de São Francisco e Santa Teresa. O casarão, que tem formato de palacete colonial, é de propriedade da igreja Católica através da Arquidiocese de Salvador.
A administração fica com IPAC, que o ocupa via contrato de locação. “Estamos promovendo a recuperação do tanque de água, que apresentava vazamentos, para evitar qualquer dano a esse monumento nacional”, explica o gerente de Patrimônio do IPAC, Raul Chagas. Os serviços terminam neste mês de abril (2011). “O São Dâmaso é um dos 235 imóveis sob responsabilidade do IPAC no CHS”, diz Chagas, “mas o IPAC não é responsável legal por todos os imóveis do CHS como pensam erroneamente alguns”, complementa o técnico.
Segundo o arquiteto, durante as décadas de 1980 e 1990 o Estado fez desapropriações na região obrigando o IPAC a ficar com esses imóveis. Esse total do IPAC representaria apenas 7,8% dos 3 mil imóveis estimados na área tombada do CHS.Segundo a Constituição de 1988 e a legislação municipal os imóveis do Centro Histórico devem ser mantidos por seus proprietários. Já a administração do CHS é da Prefeitura do Salvador. “Mas, como o local é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), esse órgão federal passa a ter tutela também nessa parte da capital baiana”, complementa o gerente do IPAC.
A Surbm/IPAC funciona nos dois últimos andares, enquanto os núcleos de figurino, adereços e a sala de leitura da Escola de Dança da Fundação Cultural (Funceb), instâncias igualmente da SecultBA funcionam no térreo. “O imóvel ainda continua com características daquele tempo, com móveis, parte interna e externa semelhantes, além das belas portas e azulejos”, afirma Kátia Berbert, artista plástica e subgerente da Surbm/IPAC.
Cronologia
· Construção não comprovada por documentos
· Primeiro dono que se tem notícia: Diogo Álvares Campos que era casado com Maria Francisca da Câmara
· Em seguida passa-se ao Cônego José Teles de Menezes
· 1814 - Morre o Cônego José Teles de Menezes, o qual doa por testamento a casa de sua residência para nela se estabelecer o Seminário projetado por D. Frei Francisco de São Dâmaso Abreu Vieira, ex-bispo de Málaca e 14º arcebispo Primaz do Brasil, em cumprimento ao alvará de 10/V
· 1815 - Em 15.08 é inaugurado o Seminário de Ciências Eclesiásticas da Bahia, batizado com o nome de Seminário de São Dâmaso, em homenagem a seu criador
· 1816 - Com a morte de seu fundador o Seminário começa a decair
· 1819 - Fecha o Seminário, sendo reaberto mais tarde, em 1834, no Hospício da Palma
· 1834 - A casa passa às Carmelitas Descalças
· Atual – propriedade da Igreja Católica, através da Arquidiocese de Salvador, sob administração do IPAC
Assessoria de Comunicação IPAC – em 18.04.2011 - Jornalista responsável Geraldo Moniz (drt-ba 1498) – (71) 8731-2641 – Texto base: estagiária Érica Teixeira e Geraldo Moniz. Contatos: (71) 3117-6490, ascom.ipac@ipac.ba.gov.br - www.ipac.ba.gov.br - Facebook: Ipacba Patrimônio - Twitter: @ipac_ba