terça-feira, 19 de abril de 2011

São Dâmaso passa por Manutenção

Edifício de notável valor arquitetônico, originário do século 17 e tombado individualmente pelo Ministério da Cultura (MinC) como Patrimônio do Brasil, o solar São Damaso está passando por obras hidráulicas emergenciais. Inserido no Centro Histórico de Salvador (CHS), área também tombada pelo MinC, o casarão fica entre a Praça da Sé e o Terreiro de Jesus, na Rua do Bispo que reunia as melhores residências da cidade durante o período colonial.
O secular prédio está sob a responsabilidade do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia da secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), que o utiliza para funcionamento da subgerência de Restauração de Bens Móveis (Surbm). O casarão abriga esse setor do IPAC responsável pela restauração de imagens como as de Nossa Senhora do Pilar do Oratório da Cruz do Pascoal, de São Benedito da igreja de Santana, os altares da igreja de Piatã, entre dezenas de outras peças artísticas.
O solar tem três pavimentos, pilastras dóricas, belos tetos de madeira de lei em forma de gamela e azulejos do século 17 do mesmo tipo encontrados na Catedral de Salvador, igreja de Monte Serrat, conventos de São Francisco e Santa Teresa. O casarão, que tem formato de palacete colonial, é de propriedade da igreja Católica através da Arquidiocese de Salvador.
A administração fica com IPAC, que o ocupa via contrato de locação. “Estamos promovendo a recuperação do tanque de água, que apresentava vazamentos, para evitar qualquer dano a esse monumento nacional”, explica o gerente de Patrimônio do IPAC, Raul Chagas. Os serviços terminam neste mês de abril (2011). “O São Dâmaso é um dos 235 imóveis sob responsabilidade do IPAC no CHS”, diz Chagas, “mas o IPAC não é responsável legal por todos os imóveis do CHS como pensam erroneamente alguns”, complementa o técnico.
Segundo o arquiteto, durante as décadas de 1980 e 1990 o Estado fez desapropriações na região obrigando o IPAC a ficar com esses imóveis. Esse total do IPAC representaria apenas 7,8% dos 3 mil imóveis estimados na área tombada do CHS.Segundo a Constituição de 1988 e a legislação municipal os imóveis do Centro Histórico devem ser mantidos por seus proprietários. Já a administração do CHS é da Prefeitura do Salvador. “Mas, como o local é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), esse órgão federal passa a ter tutela também nessa parte da capital baiana”, complementa o gerente do IPAC.
A Surbm/IPAC funciona nos dois últimos andares, enquanto os núcleos de figurino, adereços e a sala de leitura da Escola de Dança da Fundação Cultural (Funceb), instâncias igualmente da SecultBA funcionam no térreo. “O imóvel ainda continua com características daquele tempo, com móveis, parte interna e externa semelhantes, além das belas portas e azulejos”, afirma Kátia Berbert, artista plástica e subgerente da Surbm/IPAC.
Cronologia
·    Construção não comprovada por documentos
·    Primeiro dono que se tem notícia: Diogo Álvares Campos que era casado com Maria Francisca da Câmara
·    Em seguida passa-se ao Cônego José Teles de Menezes
·    1814 - Morre o Cônego José Teles de Menezes, o qual doa por testamento a casa de sua residência para nela se estabelecer o Seminário projetado por D. Frei Francisco de São Dâmaso Abreu Vieira, ex-bispo de Málaca e 14º arcebispo Primaz do Brasil, em cumprimento ao alvará de 10/V
·    1815 - Em 15.08 é inaugurado o Seminário de Ciências Eclesiásticas da Bahia, batizado com o nome de Seminário de São Dâmaso, em homenagem a seu criador
·    1816 - Com a morte de seu fundador o Seminário começa a decair
·    1819 - Fecha o Seminário, sendo reaberto mais tarde, em 1834, no Hospício da Palma
·    1834 - A casa passa às Carmelitas Descalças
·    Atual – propriedade da Igreja Católica, através da Arquidiocese de Salvador, sob administração do IPAC

Assessoria de Comunicação IPAC – em 18.04.2011 - Jornalista responsável Geraldo Moniz (drt-ba 1498) – (71) 8731-2641 – Texto base: estagiária Érica Teixeira e Geraldo Moniz. Contatos: (71) 3117-6490, ascom.ipac@ipac.ba.gov.br www.ipac.ba.gov.br - Facebook: Ipacba Patrimônio - Twitter: @ipac_ba

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Forte encerra encontro de capoeira para mulheres amanhã, dia 9, às 15h



Tombado como patrimônio cultural da Bahia e restaurado pelo Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), da secretaria estadual de Cultura (SecultBA), o Forte de Santo Antônio Além do Carmo sedia academias e se tornou referência internacional da capoeira na Bahia, com visitantes periódicos de países distantes entre si como Japão, Turquia, Alemanha, Irã, Inglaterra, Estados Unidos e México, entre outros. Amanhã, dia 9 (abril, 2011) mais uma comemoração da capoeira será sediada no forte. Trata-se do 1º Seminário No Ventre a Capoeira, que é aberto ao público e começa a partir das 15h.

O evento começou em 19 de fevereiro deste ano, objetivou fortalecer a participação das mulheres na capoeira e contou com oficinas e encontros na programação. O Mestre Pastinha, considerado maior propagador da capoeira angola no Brasil, também foi homenageado, assim como, o seu discípulo, mestre João Pequeno de Pastinha. “Serão lembradas mulheres de relevância no contexto político e sócio-cultural da Bahia”, comenta Cristiane Nani, da organização do encontro.

Também administrado pelo IPAC o Forte de Santo Antônio reúne atividades sempre ligadas à capoeira. “A edificação fica no mesmo lugar da trincheira Baluarte de Santiago, construída em 1627, após a expulsão dos holandeses que invadiram Salvador nessa época”, diz o gerente de Patrimônio do IPAC, Raul Chagas. Na década de 1950 foi transformado em prisão desativada em 1976, e no regime militar abrigou presos políticos. Informações sobre o seminário através dos telefones (71) 9925-5830, 8312-5869, 9635-5433 e 8833-1469, ounildesena@yahoo.com.br e nanidejoaopequeno@yahoo.com.br. Sobre o forte, no bloghttp://fortesantoantonio.blogspot.com.


Mulheres homenageadas:
·          Professora Dra. Ana Célia da Silva
·          Srª. Maria Davina Rodrigues (Mãe Preta)
·          Srª. Edelzuita dos Santos (D. Maezinha – a dama da capoeira)
·          Srª. Eliza de Oliveira (Mãe Eliza – Terreiro Ilê Axé Jefan Okan Onile)
·          Srª. Francisca Silva Rego (mulher capoeirista angoleira)
·          Srª Nancy de Souza- (Vovó Cici)
·          Professora Dra. Vanda Machado

Programação:
·    15h00 – Roda de Prosa  “A participação mulher em Organizações Sociais da cidade de Salvador” com as convidadas: Francineide Marques, advogada, capoeirista e pesquisadora e a Vereadora Marta Rodrigues.
·    16h00 as 17h30 -  Roda de Capoeira Angola comandada pelas mestras, professoras e convidadas, com samba de roda no final.
·    17h30 as 18h00 - Música para o corpo e a consciência: Cantora e Compositora Márcia Pinho
·    18h00 as 18h30 – Confraternização



HISTÓRICO opcional: MESTRE PASTINHA - Vicente Joaquim Ferreira (1889 — 1981) chamado de Pastinha foi um dos mais reconhecidos mestres de capoeira do Brasil. Em depoimento ao Museu da Imagem e do Som em 1967, o mestre contou que "um velho africano assistindo a briga de rua da qual eu participava e apanhava e me convidou para me ensinar a capoeira”. Depois de anos de dedicação os conceitos de Pastinha formaram seguidores em todo Brasil. A originalidade do método de ensino e a prática do jogo enquanto expressão artística formaram a escola que privilegia o trabalho físico e mental para que o talento se expanda em criatividade. Em 1941, fundou a primeira escola de capoeira legalizada pelo governo baiano, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), no Largo do Pelourinho. Em 1966, integrou a comitiva brasileira ao primeiro Festival Mundial de Arte Negra no Senegal e em 1965 publicou o livro Capoeira Angola, em que defendia a natureza desportista e não-violenta do jogo. Pastinha enfatizou o lado lúdico e artístico da capoeira, destacando os treinos de cantos e toques de instrumentos. Também buscou na tradição conceitos centrais, como a malícia e a ilusão do adversário sempre que possível, para evitar movimentos mecânicos e previsíveis. Para ele, a capoeira era um esporte, uma luta, mas também uma reza, lamento, brincadeira, dança, vadiagem e um momento de comunhão.


Assessoria de Comunicação IPAC – em 08.04.2011 - Jornalista responsável Geraldo Moniz (drt-ba 1498) – (71) 8731-2641 – Texto: estagiária Érica Teixeira e Geraldo Moniz. Contatos: (71) 3117-6490, ascom.ipac@ipac.ba.gov.br www.ipac.ba.gov.br - Facebook: Ipacba Patrimônio - Twitter: @ipac_ba